Abrir empresa no Brasil sem entender os impostos é como dirigir sem ver o painel: o carro pode estar funcionando, mas você não sabe quando vai ficar sem combustível. 

Muitos empreendedores pagam mais imposto do que deveriam por escolher o regime tributário errado, outros acumulam pendências por não saber quais obrigações precisam cumprir mensalmente. 

Este guia explica de forma direta quais são os principais tributos que uma empresa paga, como eles funcionam, como o regime tributário determina o valor de cada um e o que é possível fazer legalmente para reduzir essa carga.

Como os impostos empresariais são organizados no Brasil

Os tributos que uma empresa paga se dividem em três esferas: federal, estadual e municipal. Cada esfera tem competência sobre determinados impostos e define as alíquotas dentro dos limites estabelecidos pela legislação nacional.

  • Impostos federais são os de maior peso na carga tributária das empresas. Incluem IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, além das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento.
  • Impostos estaduais incidem principalmente sobre a circulação de mercadorias. O principal deles é o ICMS, cuja alíquota varia de estado para estado.
  • Impostos municipais incidem sobre a prestação de serviços. O principal é o ISS, com alíquotas definidas por cada município, geralmente entre 2% e 5%.

Quais são os principais impostos que uma empresa paga

IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica)

Incide sobre o lucro da empresa. A alíquota básica é de 15%, com adicional de 10% sobre a parcela do lucro que exceder R$ 20 mil mensais. No Simples Nacional, o IRPJ já está incluído no DAS e não tem adicional. A legislação do IRPJ está disponível no portal da Receita Federal, que detalha as regras por regime tributário.

CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)

Alíquota de 9% para a maioria das empresas, calculada sobre o lucro apurado ou presumido, conforme o regime. No Simples Nacional, está embutida no DAS.

PIS e COFINS

Contribuições que incidem sobre o faturamento mensal. No Simples Nacional, fazem parte do DAS. No Lucro Presumido, somam 3,65% sobre a receita bruta. No Lucro Real, o regime não cumulativo permite o aproveitamento de créditos sobre insumos adquiridos, com alíquota combinada de 9,25%, mas redução efetiva dependendo dos créditos apurados.

INSS Patronal e CPP (Contribuição Previdenciária Patronal)

Sobre a folha de pagamento, incluindo salários e pró-labore dos sócios. No Lucro Presumido e Lucro Real, a alíquota do INSS patronal é de 20%. Nas empresas do Simples Nacional enquadradas nos Anexos I a III, a CPP já está incluída no DAS. Nos Anexos IV e V, é recolhida separadamente.

ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)

Imposto estadual que incide sobre a venda de produtos, transporte interestadual e intermunicipal e comunicação. As alíquotas variam entre 7% e 18% conforme o estado e o tipo de mercadoria. Empresas do Simples Nacional pagam alíquotas reduzidas, embutidas no DAS.

ISS (Imposto Sobre Serviços)

Imposto municipal obrigatório para toda empresa prestadora de serviços. A alíquota varia entre 2% e 5% conforme o município e a atividade. No Simples Nacional, está incluso no DAS. No Lucro Presumido e Lucro Real, é apurado e recolhido diretamente à prefeitura. Para prestadores de serviço no Rio de Janeiro, o guia sobre como emitir nota fiscal de serviço e recolher o ISS corretamente detalha as regras atualizadas de 2026.

Como o regime tributário define quanto sua empresa paga

O regime tributário é a principal variável que determina a carga tributária de uma empresa. No Brasil, existem três opções:

Simples Nacional

Unifica os principais tributos em uma guia única mensal, o DAS. A fórmula para calcular a alíquota efetiva é:

Alíquota efetiva = (RBT12 x alíquota nominal — parcela a deduzir) / RBT12

Onde RBT12 é a soma das receitas dos últimos 12 meses. O resultado é a alíquota que incide sobre a receita bruta do mês. O portal oficial do Simples Nacional disponibiliza as tabelas completas por Anexo e faixa de faturamento.

Indicado para empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. É o regime mais simples operacionalmente, mas não necessariamente o mais econômico para todos os perfis de negócio.

Lucro Presumido

A Receita Federal aplica uma margem de lucro pré-fixada sobre o faturamento e calcula IRPJ e CSLL com base nessa presunção. As margens variam por atividade: 8% para comércio e indústria, 32% para serviços em geral. 

A carga tributária total no Lucro Presumido costuma ficar entre 13,33% e 16,33% para prestadores de serviço, somando IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS. Indicado para empresas com margens de lucro reais acima da margem presumida. 

Para entender como escolher entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real com base no perfil do seu negócio, o guia da Contabiliza RIO apresenta comparativos práticos.

Lucro Real

Os impostos incidem sobre o lucro efetivamente apurado, após deduzir todas as despesas da receita. É obrigatório para empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões anuais, mas pode ser adotado voluntariamente. Vantajoso para negócios com margens apertadas ou que operam com prejuízo em determinados períodos.

O que muda com a Reforma Tributária a partir de 2026

A Reforma Tributária iniciou sua implementação em 2026 com mudanças que afetam diretamente o sistema de tributos sobre consumo. O modelo atual, composto por PIS, COFINS, ICMS e ISS, está sendo gradualmente substituído por três novos tributos:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substitui PIS e COFINS. Iniciou com alíquota de 0,9% em 2026, com previsão de atingir aproximadamente 8,8% a partir de 2027
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): substitui ICMS e ISS. Iniciou com 0,1% em 2026, com substituição gradual dos tributos estaduais e municipais até 2032
  • IS (Imposto Seletivo): imposto adicional sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas

A transição ocorre de forma gradual até 2033, com coexistência entre o sistema atual e o novo. Para entender como a Reforma Tributária impacta as empresas optantes pelo Simples Nacional, o blog da Contabiliza RIO detalha as mudanças mais recentes.

Como calcular quanto sua empresa vai pagar de imposto

O cálculo varia por regime, mas o raciocínio básico é:

No Simples Nacional:

  1. Some as receitas dos últimos 12 meses (RBT12)
  2. Localize o Anexo e a faixa de faturamento correspondente na tabela oficial
  3. Aplique a fórmula: (RBT12 x alíquota nominal — parcela a deduzir) / RBT12
  4. Aplique a alíquota efetiva sobre a receita bruta do mês

No Lucro Presumido:

  1. Aplique a margem presumida sobre o faturamento (8% para comércio, 32% para serviços)
  2. Calcule IRPJ: 15% sobre o lucro presumido, com adicional de 10% acima de R$ 20 mil
  3. Calcule CSLL: 9% sobre o lucro presumido
  4. Some PIS (0,65%) e COFINS (3%) sobre o faturamento bruto
  5. Some o ISS conforme a alíquota municipal

Usar as ferramentas certas de controle financeiro empresarial automatiza boa parte desses cálculos e evita erros que custam multas.

Como pagar menos impostos de forma legal

  • Escolher o regime tributário correto desde a abertura é a decisão de maior impacto. Um prestador de serviços no Lucro Presumido pode pagar menos do que no Simples Nacional dependendo da margem de lucro e do perfil de custos.
  • Usar o Fator R no Simples Nacional para prestadores de serviço: quando os gastos com pró-labore e folha representam pelo menos 28% do faturamento, a empresa migra do Anexo V (alíquota de 15,5%) para o Anexo III (alíquota de 6%).
  • Separar pró-labore e distribuição de lucros corretamente: o pró-labore paga IRPF e INSS. A distribuição de lucros é isenta de Imposto de Renda para o sócio, desde que a contabilidade esteja em ordem e o lucro seja apurado formalmente.
  • Revisar o regime tributário anualmente: quando o faturamento muda ou o perfil de custos se altera, o regime mais vantajoso pode mudar junto. Essa revisão deve ser feita com um contador antes do início de cada ano fiscal.
  • Manter a contabilidade ativa: empresas com contabilidade estruturada desde o início identificam oportunidades de economia tributária que passariam despercebidas em uma gestão sem acompanhamento especializado.

Organize a gestão tributária da sua empresa com a Contabiliza RIO

Saber quais impostos sua empresa paga é o primeiro passo. Pagar apenas o que é devido, dentro dos prazos corretos e no regime mais vantajoso, é o que diferencia uma empresa bem gerida de uma que trabalha para pagar contas. 

A Contabiliza RIO oferece contabilidade digital completa para empresas no Rio de Janeiro, com análise tributária, gestão de obrigações fiscais mensais e planejamento integrado. Fale com um especialista e descubra quanto sua empresa pode economizar.